Catadores existem ainda catando lixo
Sempre garimpando o que é reciclável
Todos querem sair dessa vida miserável
Lutam por uma vida com muito capricho
Muitos catadores, na rua, ainda na catação
Outros buscam nos pontos com seu caminhão
Há aqueles que já conquistaram um galpão
Onde homens e mulheres fazem a classificação
Catadores e catadoras muitas vezes invisíveis
Por muitas pessoas e governos de nossa sociedade
Que não percebem nesses trabalhadores sua dignidade
E desvalorizam este trabalho sem recursos disponíveis
Na grande maioria dos municípios do Brasil
Catadores trabalham e vivem nas ruas e lixões
Quase sempre com uma renda menor do que mil
Pois ainda vendem para os atravessadores e patrões
Aqui no Entorno e Distrito Federal
Todo dia, mulheres e homens catadores
Ao relento com chuva, sol e calor infernal
Nem sempre reconhecidos como trabalhadores
Aos poucos e com muita luta
Nas associações e cooperativas
Gente em uma constante permuta
Produzem a vida de forma alternativa
Por mais de uma década, catadores de todo o país
Nas cidades se uniram em diversas lutas de resistência
Organizam o movimento nacional para que todos tenham ciência
De que somente na luta cotidiana, liberdade e emancipação criam raiz
Catadores e meio ambiente precisam da coleta seletiva
Numerosos recursos do planeta correm riscos de forma efetiva
É urgente a gestão pública de resíduos por catadores compartilhada
Num pacto social que garanta sempre a prioridade da vida preservada
A cada batalha vencida com esperança constroem a união
Fundada na crença do cooperativismo e economia solidária
Catadoras e catadores lutando por uma sociedade igualitária
Unidos no trabalho catam no “lixo” sementes de vida e libertação
Boaventura Teixeira
Brasília, 10 de fevereiro de 2012


